Proteção vacinal na adolescência

No texto do Blog desta semana da ASTHA Cursos Especializados em Saúde  vou conversar sobre a proteção vacinal na adolescência: autonomia do adolescente e responsabilidade dos responsáveis. O calendário vacinal desta faixa etária e das outras no Sistema Único de Saúde (SUS) e clínicas privadas, eu te explico em detalhes, no Curso EAD ( ONLINE) Curso Básico em Sala de Vacinas.

O período da adolescência é marcado por um processo de construção social, onde ocorrem mudanças biológicas e comportamentais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como sendo o período da vida que começa aos 10 anos e termina aos 19 anos completos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera a adolescência, a faixa etária dos 12 até os 18 anos de idade.

É uma fase que inclui momentos de escolhas e decisões que, às vezes, aumenta o risco de exposição a fatores de riscos oriundos do contexto social e do estilo de vida do adolescente. A concepção de risco na adolescência pode se relacionar à exposição às situações de violência, abuso de drogas e experiências sexuais precoces e muitas vezes, desprotegidas.

Os adolescentes estão entre os grupos prioritários para o Programa Nacional de Imunização (PNI), no Brasil, devido à suscetibilidade a algumas doenças preveníveis por meio da imunização e, principalmente, pela baixa cobertura vacinal apresentada nesse ciclo de vida.

Durante essas duas décadas dedicadas a prática e o ensino em vacinação, percebo que muitos pais transferem o compromisso da vacinação aos filhos adolescentes. Estamos falando da autonomia facultada aos maiores de 16 anos, no entanto, apesar disso, é importante que um adulto assuma a responsabilidade pela vacinação de rotina desse grupo.

Como prática o ato de vacinar deve ser antecedido pelo acolhimento, escuta e paciência. Muitas adolescentes referem medo da injeção, e este  deve ser considerado como um provável desencadeador de ansiedade, principalmente  se a vacinação ocorrer em ambiente escolar em grupos.

O estudo australiano de Buttery e Madim (2008), constatou que a reação psicogênica em massa é um evento que pode ocorrer em crianças e adolescentes sob estresse físico e emocional. É definido como um distúrbio psicológico em que um grupo de pessoas passa a ter, ao mesmo tempo, um comportamento inesperado ou apresentar sinais e sintomas de aparente adoecimento sem que se consiga estabelecer uma causa aparente. São mais frequentes em grupos fechados, como alunos de uma mesma escola ou trabalhadores de uma mesma empresa, embora também possa acometer população em geral.

A Nota Informativa N°109/2014/ do Programa Nacional de Imunização descreve a vacinação contra o papiloma vírus humano (HPV) e as evidências  científicas sobre os eventos relacionados  a vacinação  no município de Bertioga – SP.

Sobre a reação psicogênica pós-vacinação, tem sido relatada em outros países, a exemplo da Austrália, quando em 2007, 720 meninas com idade entre 12-17 anos foram vacinadas em uma mesma escola e, 2 horas após a vacinação, 26 meninas apresentaram sintomas que incluíam tonturas, síncope e queixas neurológicas como dificuldade de andar. Sem evidências de uma etiologia orgânica após a realização de exames laboratoriais e de imagens ou de relatos semelhantes de eventos adversos em outros lugares utilizando o mesmo lote de vacina, concluiu-se que se tratava de uma resposta psicogênica em massa à 12 vacinação.

Na Colômbia, em agosto de 2014, cerca de 276 adolescentes de um mesmo colégio que tomaram vacina contra HPV apresentaram sintomas como desmaios, dor de cabeça, tonturas, dormência e formigamento em várias partes do corpo. Levadas para atendimento em hospital, não foi encontrada nenhuma causa clínica que justificasse os sintomas. O Ministério da Saúde colombiano esclareceu publicamente que estes casos tinham sido uma reação psicogênica à vacina decorrente da ansiedade coletiva.

Na Jordânia, em 1998, 160 crianças de uma mesma escola foram imunizadas com a vacina difteria e tétano. Uma das crianças apresentou um desmaio no dia seguinte após a vacinação. Após esse fato, 20 crianças que tinham sido vacinadas também apresentaram desmaios e mal-estar. Este caso teve grande divulgação na mídia para todo o país e, após 2 dias da vacinação nesta escola, mais 55 crianças passaram mal e outras 751 crianças de outras escolas também informaram mal-estar (febre, hipotensão, falta de ar, calafrios). Depois de uma avaliação clínica cuidadosa, todos esses casos foram atribuídos a uma reação em massa pós-vacinação.

Observa-se uma semelhança entre os casos acima relatados com o que aconteceu em Bertioga-SP, onde 11 garotas que receberam a segunda dose da vacina HPV, no dia 4 de setembro de 2014 em ambiente escolar, apresentaram mal-estar após a aplicação da vacina. Oito foram levadas ao pronto-socorro e liberadas em seguida. Três adolescentes que foram internadas para investigação não apresentaram nenhuma alteração neurológica, já tiveram alta, não apresentando nenhuma sequela, o que reforça o diagnóstico de reação psicogênica ao ter sido utilizada a vacina HPV em ambiente escolar.

Essas informações estão descritas para reforçar a importância do reconhecimento das peculiaridades da vacinação do adolescente   e da prevenção da probabilidade da ocorrência síncope pós vacinação.

Por fim, ressaltar que o adolescente não é mais criança (como muitos dizem) e tem um calendário de vacinação que inclui as vacinas contra a hepatite B, dupla adulto(proteção contra a difteria e o tétano), tríplice viral (prevenção  contra o sarampo, rubéola e caxumba), vacinação contra o HPV ( prevenção do papiloma vírus humano), prevenção contra a febre amarela  e a meningite do tipo C.É importante levar o cartão de vacinas para avaliar o histórico de vacinação.

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Fonte: Enf. Gisele Cristina Tertuliano, Cientista Social, Mestre e doutoranda em Saúde Coletiva.

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