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“O inimigo é um só: a melhor chance passa, obrigatoriamente, pela mudança do comportamento social”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 17 de janeiro de 2021, autorizou o uso de duas vacinas em caráter emergencial: a vacina fabricada pelo Instituto Butantan, em parceria com a indústria farmacêutica chinesa Sinovac, e a vacina fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira do consórcio Astra Zeneca/Oxford. Em fala transmitida pelas redes de televisão brasileiras, o diretor-presidente da ANVISA, Antonio Barra Torres, disse que é preciso mudar o comportamento social em razão da pandemia do novo coronavírus:

 “O inimigo é um só. A nossa chance, a nossa melhor chance nesta guerra passa, obrigatoriamente, por uma mudança de comportamento social, sem a qual, mesmo com vacinas, a vitória não será alcançada”.

Vacinas fazem parte de nossas vidas a muito tempo. Há uma construção histórica do uso de imunobiológicos no controle de doenças infecto contagiosas, algumas inclusive, erradicadas pelo uso da vacinação massiva da população. A complexidade de programas de vacinação, suas estratégias e logística, passavam desapercebidos pela população, que naturalmente aderiam às campanhas realizadas, confiantes e seguras de estarem participando de um movimento para o bem estar e saúde individual e coletiva.

Uma corrente de desinformação sobre vacinas varreu o mundo, que se desacostumou a ver a face mais horrível de certas doenças, controladas ou erradicadas. Algumas voltaram com força, como o sarampo, cujo curso clínico natural é devastador podendo levar a óbito e outras comorbidades.

Com movimentos civis e manifestações falsas (fake news) pelas redes sociais de desacreditação mundial de Programas de Imunização, ainda em curso, estamos vivenciando o mais terrível momento em saúde pública: a pandemia causada por um agente viral novo, que se dissemina por via respiratória: o SARS CoV 2. Um caos mundial, impactando severamente os sistemas públicos de saúde de todos os continentes, com milhões de infectados e óbitos diários relacionados à COVID 19 com números impressionantes.

Imagens devastadoras de cemitérios, covas improvisadas, famílias enlutadas sem oportunidades de despedidas, países beirando à falência econômica, atitudes desafiantes e contrárias às recomendações dos especialistas para o distanciamento social e ao uso de máscaras, culminam em uma avalanche de desempregos e empobrecimento de nações e populações. Tragédia social de dimensão agigantada e ainda em andamento, sem segurança de quanto tempo ainda perdurará e da avaliação do futuro que nos aguarda. Em muitos países, governantes despreparados para o enfrentamento da pandemia e discursos negacionistas e conspiratórios, com nuances de irresponsabilidade legal.

No momento atual, expressões que nunca tiveram domínio público, vem à tona: o estudo para obtenção de vacinas, o processo de fabricação de vacinas pelas indústrias farmacêuticas; a regulamentação de vacinas pelas agências de vigilância sanitárias de todos os países; a importância da vacinação em massa; a logística de distribuição das vacinas; a preocupação com a qualidade e conservação das vacinas verificando fatores como a temperatura, rede de frios, processos de eficácia e efetividade da imunização; tipos de vacinas e o custo desafiador de produzir imunizantes na quantidade de bilhões de doses e planejamento de uma escala de prioridades para o início da vacinação. Estes, entre tantos outros temas, se tornaram o foco central das discussões em todos os fóruns, não se limitando aos tradicionais como os científicos e acadêmicos.

Estes assuntos estão sendo popularizados e disseminados em fóruns jornalísticos e populares, usando mídias como televisão, rádio, jornais, internet e redes sociais. Estamos formando um batalhão de especialistas aptos a opinarem sobre este tema tão complexo, compreendendo que o léxico acadêmico-científico, na maioria das vezes, é incompreensível e inacessível por pessoas leigas, que não vivem, trabalham, estudam em ambientes relacionados às áreas da Biologia e Saúde.

Presenciamos atualmente, diariamente, algumas pessoas que ativamente e que de certa forma, conseguem se apropriar dos conceitos mais importantes, conferindo valor ao processo de vacinação, descaracterizando por completo a onda contrária às vacinas como prática de promoção e proteção da saúde pública. Este é um fato positivo da massificação do discurso científico.

Por outro lado, no entanto, ambientes polarizados e permeáveis às posições políticas mais diversas, se entranham no discurso, causando inflamações desnecessárias, processos opinativos desconstrutivos e um efeito nefasto ao programa de vacinação como um todo, negando seu caminho histórico até a chegada da pandemia neste século.

A ASTHA está imbuída deste espírito de coletividade e torce para que toda a população brasileira tenha acesso à vacinação no menor tempo possível, e o cenário desenhado pelo SARS CoV 2 desapareça, para que a vida volte ao seu ritmo natural.

O Curso em Sala de Vacinas vem colaborar com a disseminação de informação adequada aos profissionais da área, para todos os temas relacionadas à vacinação, não focando somente ao ato de vacinar, mas à toda cadeia do processo de vacinação: agentes imunizantes, transporte, rede de frios, efeitos adversos, segurança do paciente.

O tema é instigante e muito promissor. Desejamos compartilhar com você a nossa experiência.

Fonte:  Ana Stela Goldbeck, Farmacêutica, Bioquímica, Diretora da ASTHA Cursos Especializados em Saúde

Gisele Cristina Tertuliano, Enfermeira e Cientista Social.