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Tudo bem dizer “não” para reuniões sociais durante a Pandemia

No Blog desta semana da ASTHA, em dias que antecede uma data comemorativa familiar e religiosa que é a Páscoa, oferecemos a você uma reflexão.  Se existe uma questão que tem desassossegado o nosso espaço relacional diante da Pandemia, que a todos pegou de surpresa, é o fato de dizer SIM ou NÃO para encontros sociais em demandas de alguns amigos ou parentes. Não é um “SIM” fácil de se dizer, assim como também não é fácil dizer NÃO!

A ASTHA Cursos Especializados em Saúde está atenta a este dilema,  que coloca em xeque as noções de promoção à saúde e prevenção de doenças articuladas por profissionais de saúde pública, quando esta se depara com a necessidade de impor distanciamento às pessoas da família e amigos, que compõe a nossa rede  social.

Noções e regras de distanciamento social entre amigos e parentes tendem ao rompimento inúmeras vezes e exigem de todos nós, sejamos ou não profissionais de saúde, um esforço emocional extra: dizer NÃO aos familiares, que não convivem juntos, ou amigos  no sentido de preservar e manter a segurança a si e ao outro, é extremamente desafiador. As recusas aos convites são difíceis porque temos receio do juízo que a outra pessoa fará de nós. E a ASTHA quer estar com você nesta tarefa e assim contribuir para a tomada de decisão, de uma forma mais confortável. Não há problema em dizer “não”, quando se fala com confiança e educadamente.

A seguir escrevemos algumas DICAS que procuramos com especialistas para DIZER NÃO à convites de amigos e familiares. E elas valem para todas as pessoas, independentemente da profissão, porque todos nós devemos ajudar a interromper a linha de transmissão do vírus, seguindo as regras de distanciamento social, uso de máscara e higienização constante das mãos e, também, saber dizer não. Adaptar-se à vida durante o COVID-19 pode afetar nossa saúde mental — há tantas coisas fora do nosso controle.

Uma coisa é certa: somente nós mesmos podemos controlar QUANTOS RISCOS queremos correr durante esta pandemia, mesmo que esses riscos possam ser benéficos para o nosso bem-estar emocional, eles não deixam de ser um risco de contaminação real. E corrê-lo, depende única e exclusivamente de nós mesmos.

Embora seja possível planejar um encontro presencial que seja minimamente seguro, ele SEMPRE SERÁ inconveniente neste momento. Sabemos que a decisão de participar de uma reunião social é extremamente pessoal e depende de alguns fatores:

  1. Se estivermos em algum grupo de risco para o desenvolvimento de doenças graves a partir de COVID-19 como doenças cardíacas severas; doença renal crônica; doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); obesidade; doença falciforme e diabetes tipo 2, por exemplo;
  2. Se estamos vivendo ou cuidando de pessoas que estejam em grupo de risco;
  3. Se somos trabalhadores de estabelecimentos como hospitais, clínicas, mercearias ou restaurantes ou em direta interação com quem seja;
  4. Se nossa personalidade for especialmente afeita em correr determinados riscos;
  5. Se vivemos com alguém que também é afeito a assumir riscos conosco.

Para recusar ou aceitar um convite para sair ou uma combinação de reuniões com familiares que não vivem junto conosco, para comemorações ou almoços e jantares é bem importante que a gente considere e determine qual o nível de conforto que nós, e quem vive na mesma casa, sente em relação à COVID-19. Isso é praxe e pode ser feito agora, e pode ajudar muito a dizer um SIM ou um NÃO para pessoas queridas. Este exercício pode nos ajudar a limitar nossa ansiedade e o estresse que surgir se quisermos dar o NÃO como resposta para um convite. Será que dizemos “SIM” somente para agradar a outra pessoa?

Hei! Quantas vezes nós já usamos a expressão “Não, mas obrigado pelo convite” para recusar um convite, na qual, educadamente, explicamos que já temos outros planos, mas que adoraríamos definir algo para um futuro próximo? Em uma pandemia, que chegou de forma tão inesperada, sequer sabíamos que faria parte de nossas vivências, dizer “Não, mas obrigada pelo convite!”, ainda mais quando sabemos que não temos outros planos e não sabemos quando o tal futuro virá. Dizer “não” nestas circunstâncias, pode vir acompanhado com uma camada adicional de cobrança pessoal, estresse e sentimento de culpa. Será que a outra pessoa questionará nossa amizade? Será que vamos ferir os sentimentos do outro? Será que a pessoa vai pensar que a estamos julgando? Será que precisamos mencionar que o COVID-19 é a razão pela qual estamos recusando o convite?

Na verdade, não importa como alguém pode – ou não – reagir à nossa resposta, o que nós não podemos, nem devemos, fazer é concordar com algo com o qual estamos desconfortáveis, apenas para satisfazer a outra pessoa. A decisão certa é aquela que for a melhor para a nossa saúde, física e mental. Segundo a Houston Methodist dos Estados Unidos, existem alguns passos que podem ajudar a minimizar o estresse de recusar uma reunião social, que não achamos segura, durante a COVID-19:

  1. Sejamos positivos. Recusar um convite não precisa ser negativo. Podemos começar a responder com uma nota positiva: “Oi! Que legal ter notícias suas!” E terminar com um: “Eu também sinto falta de sair com você! Mas agora, nestes tempos, não dá!” Sempre tem alguns emojis bem apropriados que falam por nós 😊, se a resposta for escrita por e-mail ou por whatsapp.
  2. Resposta curta e delicada. Saber com o que nos sentimos confortáveis, e o porquê com relação à COVID-19 e diante disso elaborar uma resposta concisa e educada que deve ser tão simples quanto: “Eu adoraria vê-lo(a)/encontrá-lo(a), mas estou evitando reuniões presenciais devido ao COVID-19 neste momento”. Não é necessário detalhar o raciocínio sobre o porquê estamos dizendo não. Todas as pessoas, a princípio, sabem o que fazer com a COVID-19. Todos sabemos que algumas pessoas são de alto risco. Devemos considerar que muitas vezes são pessoas que mais avessas à ideia de risco que fazem convites de reuniões em tempo de pandemia.
  3. Dê uma resposta honesta. Embora possa ser tentador limitar o constrangimento inventando desculpas falsas, isso pode nos colocar em uma “espiral de desculpa falsa” — na qual a pessoa oferece uma data ou hora alternativa e nós temos que pensar em mais e mais desculpas. E isso, na verdade, pode até fazer com que nós digamos “sim” simplesmente para cobrir a desonestidade. Todos sabemos que a base de uma amizade saudável é a honestidade, não podemos cair nesta armadilha. Então ser honesto e verdadeiro é fundamental.
  4. Podemos sugerir uma maneira alternativa de sair. Se quisermos nos reconectar com a pessoa, recusar o convite não significa recusar sair completamente. Telefonemas, bate-papos por vídeo e jogos online juntos nunca compensarão a reconexão pessoalmente, mas certamente é melhor do que nada.

Lendo estas dicas, a recusa de um convite social pode ser realizado tranquilamente por qualquer um, sempre educadamente e confortavelmente, talvez desta forma:

“Que bom falar com você! Sinto falta de te ver, mas estou evitando reuniões presenciais agora devido ao COVID-19. Que tal planejarmos uma chamada de vídeo? Eu e o mundo estamos com muita vontade de sair. Mas agora, ainda não dá”.

“Olha, gostaria muito de almoçar/jantar com a família reunida. Mas agora não dá. Temos que romper a linha de transmissão do vírus, e os nossos velhos são do grupo de risco. Assim que pudermos, vai ser um festerê só!”

Escrito por Ana Stela Goldbeck, diretora da ASTHA Cursos Especializados em Saúde

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